THOMAS KHUN: RESUMO FILOSOFIA DA CIÊNCIA

 Cap. 1

Thomas Kuhn, em seu texto, está discutindo o desenvolvimento das ciências ao longo do tempo e como diferentes escolas de pensamento científico competem entre si. Ele apresenta vários pontos-chave:


1. Competição entre concepções distintas: Kuhn argumenta que, nos estágios iniciais do desenvolvimento da maioria das ciências, várias concepções diferentes e distintas sobre a natureza competem entre si. Cada uma dessas concepções é parcialmente derivada de observações e métodos científicos, mas todas elas são apenas aproximadamente compatíveis com as evidências observacionais disponíveis na época.


2. Incomensurabilidade: O que diferencia essas várias escolas de pensamento não é a falha do método científico em si, já que todas elas são consideradas "científicas". O que as torna distintas é a incomensurabilidade entre suas maneiras de ver o mundo e praticar a ciência. Em outras palavras, essas diferentes concepções são tão diferentes em sua estrutura e pressupostos que não podem ser diretamente comparadas ou traduzidas uma na outra.


3. Restrições da observação e experiência: Kuhn reconhece que a observação e a experimentação desempenham um papel fundamental na limitação das crenças científicas aceitáveis. Sem essas restrições, a ciência não seria possível, pois não haveria base empírica para fundamentar teorias. Portanto, a observação e a experiência são cruciais para determinar quais crenças são admissíveis na prática científica.


4. Elemento arbitrário na formação de crenças: No entanto, Kuhn argumenta que a formação de crenças científicas não é apenas uma questão de seguir estritamente os dados observacionais. Ele sugere que existe um elemento aparentemente arbitrário na formação de crenças, influenciado por fatores pessoais e históricos. Isso significa que as escolhas feitas por uma comunidade científica em um determinado momento não são apenas ditadas pela observação objetiva, mas também por fatores subjetivos e contingentes.


Em resumo, o texto de Thomas Kuhn enfatiza a complexidade do desenvolvimento científico, destacando que a competição entre diferentes escolas de pensamento, a incomensurabilidade entre suas abordagens e a influência de fatores pessoais e históricos desempenham um papel importante na formação das crenças científicas em uma determinada época. Isso desafia a visão tradicional da ciência como um processo puramente objetivo e racional.


Caps. 2, 3 e 4


Neste texto de Thomas Kuhn, ele está se referindo à fase da "ciência normal", que é a fase na qual uma disciplina científica já estabelecida está operando dentro dos paradigmas e estruturas conceituais aceitas pela comunidade científica. Aqui está uma explicação mais detalhada do texto:


1. **Ciência Normal**: Kuhn descreve a "ciência normal" como a fase em que os cientistas estão trabalhando dentro de um paradigma estabelecido, ou seja, um conjunto de teorias, conceitos e métodos que são amplamente aceitos pela comunidade científica em uma determinada área. Durante essa fase, os cientistas não estão questionando os fundamentos básicos do paradigma, mas sim refinando teorias e realizando pesquisas para resolver problemas específicos dentro desse quadro conceitual.


2. **Forçar a Natureza a Esquemas Conceituais**: Kuhn afirma que na ciência normal, os cientistas estão tentando aplicar os conceitos e modelos que aprenderam em sua educação profissional à natureza. Em outras palavras, eles estão tentando entender e explicar fenômenos naturais usando as ferramentas conceituais que foram ensinadas como parte de seu treinamento científico.


3. **Elemento de Arbitrariedade**: Kuhn também reconhece que, embora os paradigmas científicos possam ser amplamente aceitos, muitas vezes há elementos de arbitrariedade em sua formação e desenvolvimento. Isso significa que as teorias e conceitos que se tornaram parte do paradigma podem ter sido influenciados por fatores históricos e pessoais, em vez de serem puramente objetivos e racionais.


4. **Pergunta Fundamental**: A pergunta central que Kuhn coloca é se a pesquisa científica poderia ser conduzida sem depender desses esquemas conceituais estabelecidos. Ele está questionando se seria possível fazer progresso científico sem a estrutura que a educação profissional fornece, mesmo reconhecendo a presença de elementos arbitrários na formação dessas estruturas.


Em resumo, o texto de Thomas Kuhn está explorando a natureza da pesquisa científica durante a fase da "ciência normal". Ele destaca a importância dos paradigmas e estruturas conceituais na pesquisa científica, ao mesmo tempo em que levanta a questão de até que ponto a ciência poderia avançar sem depender dessas estruturas, apesar de sua possível arbitrariedade em sua origem e desenvolvimento.


Caps. 5, 6 e 7


Neste texto de Thomas Kuhn, ele discute o conceito de "ciência normal" e como ela funciona no contexto da pesquisa científica. Aqui está uma explicação mais detalhada do texto:


1. **Ciência Normal**: Kuhn define a "ciência normal" como a atividade diária da maioria dos cientistas, na qual eles aplicam os paradigmas e estruturas conceituais aceitos pela comunidade científica em sua pesquisa. Nesse estado, a comunidade científica parte do pressuposto de que já sabe como o mundo funciona com base nesses paradigmas.


2. **Defesa dos Pressupostos**: Kuhn destaca que a ciência normal é bem-sucedida, em parte, porque os cientistas estão dispostos a defender esses pressupostos existentes com considerável empenho, mesmo que isso envolva custos significativos. Isso significa que, muitas vezes, a comunidade científica tende a suprimir ou ignorar novidades que possam subverter os fundamentos estabelecidos.


3. **Arbitrariedade nos Compromissos**: Kuhn reconhece que os compromissos da ciência normal podem conter elementos de arbitrariedade, ou seja, podem ser influenciados por fatores históricos ou pessoais, em vez de serem completamente objetivos.


4. **Desorientação na Ciência Normal**: O texto também destaca que a ciência normal às vezes se depara com problemas persistentes que não podem ser resolvidos usando os métodos e procedimentos conhecidos. Além disso, há momentos em que o equipamento de pesquisa não funciona como esperado, revelando anomalias que desafiam as expectativas profissionais.


5. **Revoluções Científicas**: Quando essas anomalias se acumulam a ponto de não poderem mais ser ignoradas, inicia-se um período de "investigações extraordinárias". Essas investigações levam a mudanças significativas nos compromissos profissionais e nas estruturas conceituais da ciência, resultando em uma revolução científica. Durante as revoluções científicas, as antigas teorias são substituídas por novos paradigmas, e a prática científica muda fundamentalmente.


Em resumo, o texto de Thomas Kuhn descreve o funcionamento da "ciência normal" como uma atividade na qual os cientistas operam dentro de paradigmas estabelecidos e defendem seus pressupostos, mesmo que eles contenham elementos arbitrários. No entanto, a ciência normal pode ser desafiada por anomalias persistentes, e é quando essas anomalias se tornam insustentáveis que ocorrem as revoluções científicas, levando a mudanças fundamentais na prática científica e na compreensão do mundo.


CAP 1


A passagem que você citou faz parte da teoria de Thomas Kuhn sobre a "rota para a ciência normal". Vamos explicar essa ideia mais detalhadamente:


1. **Ciência Normal**: O termo "ciência normal" refere-se ao estado estável e contínuo da atividade científica em uma determinada disciplina. É o período em que os cientistas trabalham dentro dos paradigmas estabelecidos, utilizando um conjunto aceito de teorias, conceitos e métodos. Durante a ciência normal, a pesquisa se baseia em realizações científicas passadas.


2. **Realizações Científicas Passadas**: Essas realizações são os resultados das pesquisas anteriores que foram amplamente aceitas pela comunidade científica em uma dada área. São teorias, modelos ou descobertas que fornecem a base para a prática científica posterior.


3. **Manuais Científicos**: Os manuais científicos, mencionados na passagem, são livros ou recursos que apresentam o corpo de conhecimento estabelecido em uma área específica da ciência. Eles descrevem as teorias aceitas, mostram como aplicar essas teorias em prática e comparam essas aplicações com observações e experimentos exemplares. Esses manuais são usados por cientistas como guias para conduzir suas pesquisas dentro dos limites do paradigma aceito.


Portanto, a "rota para a ciência normal" de Kuhn envolve a continuação da pesquisa científica com base no conhecimento e nas teorias já estabelecidas em uma disciplina. Durante a ciência normal, os cientistas trabalham dentro dos limites do paradigma atual e buscam desenvolver e expandir o conhecimento existente por meio de investigações que se baseiam nas realizações científicas do passado. Essa é uma fase importante do ciclo da ciência, que eventualmente pode levar a uma "crise" quando as anomalias não resolvidas começam a desafiar o paradigma estabelecido, eventualmente levando a uma mudança de paradigma e ao início de uma revolução científica, conforme discutido na teoria de Kuhn.

Essa passagem de Thomas Kuhn enfatiza a importância do compartilhamento de paradigmas na prática científica e como isso contribui para a "ciência normal". Vamos explicar essa ideia com mais detalhes:


1. **Paradigmas Compartilhados**: Um paradigma é um conjunto de conceitos, teorias, métodos e padrões que guiam a pesquisa científica em uma determinada disciplina. É uma espécie de modelo ou estrutura intelectual que define como os cientistas devem abordar os problemas em sua área. Quando Kuhn fala em "paradigmas compartilhados", ele se refere ao fato de que os cientistas em uma comunidade específica concordam e adotam um conjunto comum de crenças e métodos para conduzir sua pesquisa.


2. **Comprometimento com as Mesmas Regras e Padrões**: Os cientistas que trabalham dentro de um paradigma compartilhado estão comprometidos em seguir as regras e padrões estabelecidos por esse paradigma. Isso significa que eles aderem às teorias aceitas, às práticas metodológicas e aos critérios de avaliação que são considerados apropriados pela comunidade científica dentro desse paradigma.


3. **Consensus Aparente**: O comprometimento com as mesmas regras e padrões cria um senso de consenso aparente dentro da comunidade científica que segue esse paradigma. Isso significa que os cientistas que compartilham o mesmo paradigma concordam em grande parte sobre como a pesquisa deve ser conduzida, quais questões são relevantes e como avaliar os resultados. Esse consenso aparente é fundamental para a estabilidade da pesquisa científica.


4. **Pré-Requisitos para a Ciência Normal**: Kuhn argumenta que esse comprometimento e consenso são pré-requisitos para a "ciência normal". A "ciência normal" é o período em que a pesquisa científica ocorre dentro dos limites de um paradigma estabelecido. Durante esse período, os cientistas trabalham de acordo com as regras e padrões do paradigma, construindo progressivamente o conhecimento dentro desse quadro. Sem esse comprometimento e consenso, a pesquisa científica seria caótica e não haveria uma base sólida para avançar o conhecimento em uma disciplina específica.


Portanto, a passagem de Kuhn enfatiza que o compartilhamento de paradigmas e o comprometimento com as regras e padrões estabelecidos são cruciais para a estabilidade e a continuidade da pesquisa científica durante a fase de "ciência normal". Isso permite que uma tradição de pesquisa específica seja gerada e mantida ao longo do tempo.

A passagem de Thomas Kuhn que você mencionou se refere à transição da óptica pré-paradigmática para a óptica com um paradigma quase uniformemente aceito, como exemplificado pelas contribuições de Isaac Newton. Vamos explicar essa ideia em mais detalhes:


1. **Escolas Pré-Paradigmáticas na Óptica**: Kuhn começa mencionando que, em épocas diferentes, várias escolas ou tradições de pensamento na óptica existiram antes que um paradigma dominante fosse estabelecido. Isso significa que diferentes grupos de cientistas ou estudiosos estavam trabalhando com diferentes conjuntos de ideias, conceitos e técnicas relacionados à óptica, e não havia um consenso unificado sobre como abordar os fenômenos óticos.


2. **Contribuições Significativas**: Kuhn afirma que essas escolas pré-paradigmáticas fizeram contribuições significativas para o desenvolvimento do conhecimento ótico. Isso significa que, apesar da falta de um paradigma unificado, esses grupos de pesquisadores conseguiram realizar pesquisas valiosas e aumentar a compreensão dos fenômenos óticos em suas respectivas abordagens.


3. **Newton e o Primeiro Paradigma na Óptica Física**: A passagem menciona que Isaac Newton extraiu o primeiro paradigma quase uniformemente aceito na óptica física a partir dessas contribuições pré-paradigmáticas. Isso significa que Newton foi capaz de unificar e sistematizar as várias ideias e descobertas pré-existentes em um conjunto coerente de conceitos e princípios que passaram a ser amplamente aceitos pela comunidade científica.


Em resumo, a passagem de Kuhn destaca a evolução da óptica como um exemplo do processo pelo qual uma disciplina científica avança de um estado de diversidade e falta de consenso (pré-paradigmático) para um estado de paradigma estabelecido e amplamente aceito. Nesse caso, Isaac Newton desempenhou um papel fundamental na consolidação das ideias óticas em um paradigma coerente que se tornou a base da óptica física moderna. Isso ilustra como a ciência muitas vezes avança através de fases de desenvolvimento e consolidação de paradigmas.

Nessa passagem, Thomas Kuhn descreve como as divergências entre diferentes abordagens na fase inicial do desenvolvimento de uma ciência tendem a desaparecer à medida que um paradigma é estabelecido. Vamos analisar essa ideia mais detalhadamente:


1. **Divergências Iniciais**: No início do desenvolvimento de qualquer campo científico, diferentes cientistas podem enfrentar a mesma gama de fenômenos, mas geralmente não estão estudando os mesmos fenômenos particulares. Isso significa que eles podem descrever e interpretar esses fenômenos de maneiras diversas, com base em suas abordagens, perspectivas e interesses individuais. Essas divergências iniciais são naturais quando não há um paradigma estabelecido para guiar a pesquisa.


2. **Desaparecimento das Divergências**: Kuhn observa que é surpreendente e notável que, à medida que uma disciplina científica progride, essas divergências iniciais tendem a desaparecer em grande parte. Isso significa que as interpretações conflitantes dos fenômenos começam a convergir em direção a uma visão mais unificada da ciência.


3. **Triunfo de uma das Escolas Pré-Paradigmáticas**: O desaparecimento das divergências é frequentemente causado pelo triunfo de uma das escolas pré-paradigmáticas. Isso significa que uma abordagem específica, entre várias competindo no início, acaba prevalecendo sobre as outras. Essa escola vencedora pode se tornar o núcleo de um futuro paradigma científico.


4. **Ênfase na Parte Especial do Conjunto de Informações**: Kuhn também observa que a escola pré-paradigmática vencedora tende a enfatizar apenas uma parte especial do conjunto de informações disponíveis na época. Isso ocorre porque cada escola tem suas próprias crenças e preconceitos característicos, o que pode levá-la a focar em aspectos específicos dos fenômenos em questão.


Em resumo, Kuhn está descrevendo como as divergências iniciais entre diferentes abordagens na ciência tendem a desaparecer à medida que um paradigma é estabelecido. Esse paradigma é muitas vezes definido pelo triunfo de uma das escolas pré-paradigmáticas e pela convergência das interpretações em torno dessa abordagem vitoriosa. Esse processo leva a uma maior uniformidade na maneira como a ciência é conduzida e como os fenômenos são interpretados dentro de uma disciplina específica.

Nesta passagem, Thomas Kuhn continua a explicar como ocorre a transição da ciência pré-paradigmática para a ciência com um paradigma estabelecido, destacando o papel da síntese e o desaparecimento gradual das escolas mais antigas:


1. **Síntese que Atrai a Maioria**: Kuhn menciona que, em algum ponto no desenvolvimento de uma ciência, uma pessoa ou grupo de cientistas pode produzir uma síntese ou um conjunto de ideias que tem a capacidade de atrair a maioria dos praticantes de ciência da geração seguinte. Essa síntese representa uma visão unificada e coerente da disciplina, que tende a ser mais abrangente e convincente do que as abordagens anteriores dispersas e divergentes.


2. **Desaparecimento Gradual das Escolas Mais Antigas**: À medida que essa síntese ganha aceitação, as escolas de pensamento mais antigas começam a desaparecer gradualmente. Isso ocorre porque a nova visão paradigmática se torna dominante e atrai a maioria dos cientistas. Aqueles que aderiam às escolas pré-paradigmáticas antigas enfrentam pressões para mudar suas perspectivas e adotar o novo paradigma.


3. **Causas do Desaparecimento**: O desaparecimento das escolas antigas é causado por vários fatores. Em primeiro lugar, muitos adeptos das escolas antigas podem ser convertidos ao novo paradigma, reconhecendo a superioridade e a utilidade das novas ideias. No entanto, nem todos mudam suas perspectivas tão prontamente. Alguns indivíduos podem se apegar às concepções mais antigas, seja por razões pessoais, por resistência à mudança, ou porque ainda veem valor em suas abordagens anteriores.


Essa passagem ilustra como a transição de uma ciência pré-paradigmática para uma ciência com um paradigma estabelecido é um processo gradual e complexo. Uma síntese que oferece uma explicação convincente e unificada dos fenômenos em questão desempenha um papel fundamental na consolidação do novo paradigma. No entanto, a mudança não é instantânea, e sempre haverá alguns que resistem à mudança e continuam a aderir às concepções mais antigas por algum tempo. Essa dinâmica faz parte do processo de evolução da ciência e da substituição de paradigmas.

Mas a " definição mais estrita de grupo científico tem outras consequências. Quando um cientista pode considerar um paradigma como certo, não tem mais necessidade, nos seus trabalhos mais importantes, de tentar construir seu campo de estudos começando pelos primeiros princípios e justificando o uso de cada conceito introduzido. Isso pode ser deixado para os autores de manuais." p. 61. 


CRITICA A KHUN POR PARTE DE LAKATOS

Neste trecho de Lakatos, ele critica as visões de Thomas Kuhn sobre a mudança e o crescimento na ciência em comparação com a filosofia da ciência de Karl Popper. Aqui está uma análise das críticas:


1. **Rejeição da Acumulação de Verdades Eternas**: Lakatos aponta que tanto Kuhn quanto Popper rejeitam a ideia de que a ciência progride através da acumulação de verdades eternas. No entanto, as abordagens de Kuhn e Popper para entender a mudança científica diferem significativamente.


2. **Inspiração na Subversão da Física Newtoniana por Einstein**: Tanto Kuhn quanto Popper se inspiram em revoluções científicas significativas, como a subversão da física newtoniana por Einstein. Ambos reconhecem que as revoluções científicas são cruciais na história da ciência.


3. **Diferença nas Visões sobre Revolução Científica**: A crítica principal aqui é que, enquanto Popper vê a ciência como uma "revolução permanente", o que significa que a crítica e o teste constante de teorias são essenciais para o progresso científico, Kuhn considera as revoluções científicas como excepcionais e extra-científicas. Kuhn argumenta que durante os tempos "normais", a crítica é desencorajada, e o compromisso com um paradigma dominante é a norma.


4. **Transição da Crítica para o Compromisso**: A ideia de Kuhn de que o progresso e a "ciência normal" começam quando os cientistas fazem a transição da crítica para o compromisso é criticada por Lakatos. Ele sugere que a visão de Kuhn de rejeitar teorias apenas durante momentos de crise e abraçá-las em outros momentos é problemática.


5. **Crítica da Tese de Kuhn**: Lakatos reconhece que a tese de Kuhn sobre essa transição da crítica para o compromisso foi amplamente criticada por outros filósofos da ciência. No entanto, ele não entra nos detalhes dessas críticas neste trecho.


6. **Acusação de Irracionalismo**: A principal crítica feita por Lakatos é que Kuhn, após reconhecer as limitações tanto do justificacionismo (associado a Popper) quanto do falsificacionismo (também associado a Popper), parece recorrer ao irracionalismo. Lakatos sugere que a concepção de Kuhn sobre a mudança científica, particularmente a transição entre paradigmas, parece ser irracional e não governada pelas regras da razão.


7. **Conversão Mística e Mudança Religiosa**: Lakatos argumenta que a visão de Kuhn sobre a mudança científica como uma "conversão mística" e uma espécie de mudança religiosa é problemática. Ele sugere que a descrição de Kuhn da mudança científica como algo fora do âmbito da razão e semelhante a uma experiência religiosa é problemática do ponto de vista filosófico.


Em resumo, Lakatos critica Thomas Kuhn por suas visões sobre a mudança científica, especialmente por sua caracterização das revoluções científicas como excepcionais, seu foco no compromisso em detrimento da crítica, e sua sugestão de que a mudança científica se assemelha à conversão religiosa. Lakatos sugere que a abordagem de Kuhn beira o irracionalismo e difere significativamente da visão mais racional e passível de reconstrução de Popper sobre o crescimento científico.

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