ALAN CHALMERS: RESUMO FILOSOFIA DA CIÊNCIA
CAP. V
Limites do falseasionismo
O trecho de Alan Chalmers refere-se a uma ideia central na filosofia da ciência, relacionada ao problema da confirmação e falsificação das teorias científicas. Ele argumenta que há uma assimetria fundamental entre a confirmação e a falsificação de teorias científicas. Vamos analisar as principais ideias contidas neste trecho:
1. Diferença no estatuto das confirmações e das falsificações:
Chalmers argumenta que existe uma diferença significativa na forma como as teorias científicas são confirmadas e falsificadas. Ele está se referindo à maneira como a ciência lida com evidências e testes empíricos em relação às teorias.
2. Teorias podem ser conclusivamente falsificadas:
O autor afirma que as teorias científicas podem ser definitivamente refutadas ou falsificadas quando a evidência empírica demonstra que elas estão em desacordo com as previsões ou os resultados esperados. Isso significa que, se a evidência experimental for clara e consistente o suficiente, uma teoria pode ser rejeitada.
3. Teorias nunca podem ser estabelecidas como verdadeiras:
Chalmers argumenta que, por outro lado, as teorias científicas nunca podem ser confirmadas como verdadeiras de forma definitiva. Mesmo que uma teoria tenha sido confirmada em muitas situações diferentes e tenha sido consistentemente apoiada por evidências, ela ainda não pode ser considerada como verdadeira com absoluta certeza. Isso ocorre porque novas evidências ou observações podem surgir no futuro que contradizem a teoria.
4. A aceitação da teoria é sempre tentativa:
O autor enfatiza que a aceitação de uma teoria na ciência é sempre provisória e sujeita a revisão. Mesmo que uma teoria seja apoiada por uma ampla gama de evidências, ela ainda é considerada uma tentativa de explicação que está aberta à revisão e à refutação com base em novos dados ou descobertas.
5. A rejeição da teoria pode ser decisiva:
Enquanto a confirmação de uma teoria é sempre sujeita a revisão, a falsificação ou rejeição de uma teoria pode ser decisiva. Se uma teoria não estiver em conformidade com a evidência empírica de forma convincente, ela deve ser descartada em favor de uma explicação melhor fundamentada.
Em resumo, o trecho de Alan Chalmers destaca a natureza provisória da ciência e como a confirmação e a falsificação de teorias desempenham papéis diferentes nesse contexto. As teorias científicas podem ser falsificadas com base em evidências, mas nunca podem ser confirmadas como verdadeiras de maneira definitiva, tornando a aceitação de teorias na ciência sempre sujeita a revisão e atualização à medida que novas evidências e descobertas emergem.
O trecho de Chalmers aponta uma dificuldade adicional do falsificacionismo relacionada à complexidade das situações de teste em ciência. Vamos analisar essa dificuldade em mais detalhes:
1. Complexidade das situações de teste:
Chalmers observa que qualquer situação de teste em ciência é intrinsecamente complexa. Quando se realiza um teste experimental para verificar uma teoria, é necessário considerar não apenas a própria teoria, mas também uma série de suposições auxiliares. Essas suposições auxiliares podem incluir leis e teorias que governam o funcionamento dos instrumentos utilizados no experimento, bem como condições iniciais que descrevem o cenário experimental em si.
2. Suposições auxiliares:
As suposições auxiliares desempenham um papel crucial nos testes das teorias científicas. Elas são necessárias para estender a teoria de interesse e aplicá-la a uma situação de teste específica. No entanto, essas suposições auxiliares introduzem uma camada adicional de complexidade e incerteza ao processo de teste. Se alguma das suposições auxiliares estiver incorreta ou for imprecisa, isso pode afetar os resultados do teste e, por sua vez, a avaliação da teoria principal.
3. Adição de condições iniciais:
Além das suposições auxiliares, é necessário acrescentar condições iniciais que descrevam o cenário experimental específico. Isso implica que a validade de uma teoria não pode ser avaliada de forma isolada, mas depende do contexto experimental em que está sendo testada. Erros na descrição das condições iniciais podem levar a resultados experimentais incorretos, o que pode, por sua vez, afetar a interpretação dos resultados em relação à teoria.
Essa complexidade das situações de teste realça a dificuldade em aplicar o falsificacionismo de forma prática. A ideia de que uma teoria pode ser diretamente refutada com base em uma única observação experimental simplesmente não é compatível com a realidade da ciência, onde a testagem envolve uma rede intrincada de suposições, leis, instrumentos e condições iniciais. Essa complexidade torna a avaliação da validade de uma teoria mais desafiadora e indica que a falsificação definitiva é uma tarefa difícil de ser alcançada em muitos casos. Portanto, o falsificacionismo, embora seja um conceito valioso na filosofia da ciência, enfrenta desafios significativos em sua aplicação prática.
Uma teoria sempre pode ser protegida de falsificação, desviando-se esta para outra parte da teia de suposições que é complexa.
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