MICHEL GHINS: RESUMO FILOSOFIA DA CIÊNCIA
Michel Ghins
as influências empiristas jamais me afastaram da convicção
de que nossas melhores teorias científicas nos fornecem um conhecimento do
mundo, mesmo sobre entidades inacessíveis à percepção sensível direta, mas
acessíveis quando se pode contar com o apoio de instrumentos de medida. Tal
posição filosófica é conhecida pelo o nome de “realismo científico”.
O realista cientifico acredita na existência de certas entidades inobserváveis postuladas por
essas teorias, tais como campos de força e moléculas.
O autor pensa ser razoável conceber uma teoria científica como constituída de um conjunto de modelos e de leis suscetíveis de fornecer explicações causais dos fenômenos.
Portanto, defendo uma metafísica da natureza baseada em poderes causais, assim como o fazem atualmente vários filósofos oriundos da tradição analítica.
4 partes do livro:
1. Caracterizo brevemente a atitude objetivante da ciência, contrastando-a a outras atitudes ou posturas (...) a atitude objetivante caracteriza-se por um nítido distanciamento das coisas, que passam a ser encaradas pelos cientistas como sistemas, ou seja, como um conjunto de elementos organizados mediante relações (...) . Em resumo, uma lei causal é uma lei matemática
na qual ocorre uma derivada temporal referente ao “efeito”, enquanto os demais termos da equação se referem às “causas”. (...) Essas considerações me conduziram à defesa de uma concepção “sintética” das teorias científicas, a qual tenta conciliar os méritos das abordagens ditas “semânticas” e “sintáticas”. De acordo com a concepção sintética, uma teoria científica consiste não apenas num conjunto de modelos, conforme preconiza a abordagem semântica, mas contém igualmente proposições, notadamente as leis, conforme sustenta a abordagem sintática. Entre as proposições, convém destacar as leis causais com as quais são descritos os mecanismos, isto é, certas estruturas de propriedades, nas quais se concentra a capacidade de uma determinada teoria para explicar os fenômenos.
2. o segundo capítulo, examino as razões que legitimam a crença na verdade – parcial e aproximada – de uma teoria empiricamente adequada e explicativa dos fenômenos. Essa questão é de natureza epistemológica.
Sustento a possibilidade de defender um realismo moderado e seletivo, baseado numa analogia com a experiência sensível ordinária. Esse realismo pressupõe uma concepção de verdade como correspondência entre uma proposição e uma situação externa da qual depende a verdade da primeira. Estamos tanto mais habilitados a acreditar na existência de uma mesa percebida quanto mais dispomos de observações variadas e concordantes acerca desse fato. Da mesma maneira, estamos autorizados a acreditar na existência, por exemplo, das moléculas, se dispusermos de métodos distintos e independentes para mensurar suas propriedades e se, mesmo assim, houver uma convergência entre os resultados da aplicação desses diferentes métodos.
3. Na terceira parte, debruço-me sobre a problemática das leis científicas. Empiristas que negam. Empiristas moderados que as descrevem como regularidades contingentes. Neorregularistas identificam as leis como sendo proposições universais que figuram na condição de axiomas ou teoremas em sistemas axiomáticos, que, por sua vez, realizam o melhor equilíbrio entre simplicidade formal e capacidade de predizer fenômenos. Necessitaristas, tais como David Armstrong, sustentam que uma lei é uma proposição singular que enuncia uma relação de necessitação entre propriedades individuais. Eu proponho que as leis científicas sejam identificadas como sendo proposições universais integradas a uma teoria científica empiricamente adequada, causalmente explicativa e interpretada de modo realista. Uma lei, uma proposição nomológica, é aproximadamente verdadeira e, aquilo que a faz verdadeira, seu “fazedor de verdade”, é uma regularidade, ou seja, uma reiterada ocorrência de propriedades instanciadas que satisfazem uma relação matemática precisa.
4. apresento, no quarto e último capítulo, uma metafísica neoaristotélica da natureza baseada em poderes causais e inspirada, entre outros, em Brian Ellis e Alexander Bird. Brian Ellis e Alexander Bird são dois filósofos contemporâneos da ciência que contribuíram com diferentes aspectos da filosofia da ciência. Vou fornecer uma breve visão geral das principais ideias de cada um deles:
Brian Ellis:
Brian Ellis é conhecido por suas contribuições para a filosofia da ciência, especialmente em relação à ontologia científica e à explicação científica. Uma das suas principais propostas é a teoria causal da explicação científica, que enfatiza a importância das relações causais na explicação de fenômenos naturais. Ele argumenta que as explicações científicas bem-sucedidas devem identificar e explicar as causas subjacentes dos eventos observados. Além disso, Ellis defende uma abordagem realista à ontologia científica, alegando que as entidades científicas, como elétrons, moléculas e outros objetos teóricos, têm uma existência real e são fundamentais para a compreensão da ciência.
Alexander Bird:
Alexander Bird também é conhecido por suas contribuições para a filosofia da ciência, especialmente em áreas como a teoria da probabilidade, a explicação científica e a metafísica científica. Bird propõe uma abordagem objetivista à probabilidade, argumentando que a probabilidade é uma característica intrínseca da realidade e que as probabilidades podem ser objetivamente atribuídas a eventos. Ele também defende uma abordagem baseada em leis para a explicação científica, sugerindo que as leis naturais desempenham um papel fundamental na explicação das regularidades observadas na natureza. Além disso, Bird explora questões relacionadas à fundamentação metafísica da ciência, investigando como os conceitos científicos se relacionam com a estrutura ontológica do mundo.
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